segunda-feira, 13 de outubro de 2014

"Oh! que saudade que tenho da aurora da minha vida..."

Esse famoso verso do escritor romântico Casimiro de Abreu é um lamento nostálgico que evidencia um eu lírico triste e saudoso. E saudade é algo curioso: dor que às vezes vem aguda; outras vezes, chega tão serena e tão sorrateira que não dói e fica gostosa de se sentir... E é assim, dessa maneira imprevisível, que me vêm à lembrança certos aromas, certos perfumes que, mais do que fragrâncias, tornaram-se marcos indestrutíveis de saudosos momentos de minha vida.
Penso que a comercialização de um perfume deveria respeitar certas normas que considerassem e respeitassem a relação e a história do consumidor com a fragrância. Digo isso porque tenho percebido uma enorme falta de trato de algumas empresas que simplesmente descontinuam a produção de um perfume por diferentes razões e deixam sempre alguém desamparado de explicações e sem o seu perfume preferido.
Digam-me, leitores: quem já não passou por isso?
Um perfume é bem mais que um cosmético capaz de conferir um bom odor a quem o usa. Pelo fato de alcançar nossos sentidos, torna-se algo prazeroso, poético e determinante em alguns (e de alguns) contextos. Por isso penso que, ao descontinuar um perfume, não é simplesmente uma atividade de praxe que ocorre, ou seja, não é simplesmente uma atividade prevista em qualquer empresa do ramo: é o desaparecimento de algo que alcança nossas emoções e que nos permite resgatar, reviver e usufruir do que fomos ou vivemos outrora.
Há os que defendem a ideia de que não se deve viver do passado. Concordo. Não vivo do passado: revivo o passado vez ou outra, com imensurável prazer. E os perfumes, assim como as canções, são centelhas capazes de atear fogo alto à memória (Inevitavelmente alguns perfumes descontinuados rescenderam por aqui enquanto escrevia essas coisas. Quase posso senti-los...). E dentre as marcas nacionais que mais desrespeitam o consumidor (nesse quesito) é O Boticário. Há inúmeros itens descontinuados, os quais já listei em outros posts. Dentre eles, dois são meu maior pesar: O masculino Yang e o feminino Exubérance.
Yang, um fougère agreste, verde e amadeirado, com notas almiscaradas de base, capaz de trazer à tona uma profusão de imagens viris e naturais. Exubérance, um chipre grandioso, inspirado na tuberosa e no mel, capaz de revelar feminilidade madura e sofisticada.
Nada substituiu, até hoje, a colônia Yang. Nada que se pareça com essa fragrância. No caso de Exubérance, perfumes importados como Animale, Parfum de Peau, Ysatis nos ajudam a matar a saudade (pelo menos em parte), com suas notas aproximadas em algum momento da evolução.
De fato, a semelhança de muitos perfumes nacionais com os importados é algo a nosso favor. Foi o que ocorreu com outro descontinuado da marca: Spirit of Flowers. Fiquei desamparado até conhecer Cabotine que, ao meu sentir, é idêntico àquele.
Entre os importados, lamento não ter estocado também dois perfumes: Nu, de YSL, e Insensé (amarelo), de Givenchy. O primeiro feminino, opulento, exótico e misterioso; o outro masculino fougère, aromático, incensado e também insubstituível.
Engraçado o efeito do "não poder ter": acabei de concluir que todos os perfumes citados estão entre as melhores fragrâncias que conheci. A escritora Adriana Falcão diz, em outras palavras, que recordação é o passado que volta um pouco mais enfeitado. Talvez essa seja a explicação: será que se eu tivesse todos esses perfumes hoje, ao meu dispor, eu os teria com tamanho gosto e admiração?
Resposta: com certeza (risos)!
Beijo!

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Participam desta mesa-redonda os maravilhosos blogs abaixo:

Diana Alcântara em: a louca dos perfumes
Elisabeth Casagrande em: perfume bighouse
Helen Fernanda em: Helen Fernanda
Juliana Toledo em: le monde est beau
Priscila Lini em: parfumeé
Lily em: parfums et poésie
Cassino em: perfumart
Carla Bicaglia em: pimenta vanilla
Cris Nobre em: templo dos perfumes
Vanessíssima em: van mulherzinha

Agradecendo aos maravilhosos amigos que fazem parte desse grupo, por tanta informação preciosa, tanto companheirismo e carinho.
Adoro vocês!
Cris













 
 

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

212 Vip Rosé

Assim como seu antecessor 212 Vip, que se inspirou em notas de bebidas a fim de acrescentar uma pitada notívaga, vip e glamourosa à fragrância, o novo 212 Vip Rosé partiu do mesmo princípio, porém com uma diferença: enquanto aquele contém notas do marcante e inconfundível rum, tornando a fragrância gulosa e flambada, este se inspirou na delicada, cintilante e sofisticada sedução do champanhe.
A fragrância abre-se de maneira bem semelhante a 212 Sexy, com generosas notas frutais, suculentas, e, desta vez, embebidas no champanhe. O coração é doce, com a persistência do mix frutal e o acréscimo das flores de pêssego. A diferenciação decisiva, ao meu sentir, está nas notas de base, que conferem um odor mais áspero ao perfume, com madeiras, âmbar e almíscar. Isto é o que 212 Vip Rosé tem de melhor, embora o considere reincidente.
Um perfume bastante teen e que pode realmente agradar àqueles que curtem fragrâncias mais doces e apelativas.
A campanha procura criar a ideia de um grupo seleto, em que se identificam as pessoas da lista por usarem o perfume. Sua frase de efeito: Are you on the list?
Lançado em 2014 e tem como garota propaganda a top Gisele Bündchen.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Dolce Vita

Uma delícia de perfume oriental com base amadeirada. Criado em 94, por Maurice Roger, o mesmo criador de Fahrenheit, é uma fragrância radiante que gira em torno da baunilha. Suas notas frutais de pêssego e damasco explodem com o odor cítrico da bergamota e grapefruit, criando um efeito de exaltação e doçura. Feminino, mas não feminista: é muito acessível também aos homens. As madeiras asseguram sua personalidade, enquanto que as especiarias como cardamomo e canela criam um interessante efeito incensado do qual emerge a doçura de flores, como magnólias, e doces frutos. Dolce Vita se insinua distraidamente místico, com sua profusão floral/frutal em meio ao arranjo de especiarias e marca sua presença de maneira alegre e despretensiosa.
Chamou-me a atenção o efeito das notas de coração: após algum tempo, sente-se um mix de madeiras e especiarias com um núcleo tão fresco e otimista, parecendo menta em alguns momentos, que chega a nos fazer sorrir.
Minha única frustração com essa maravilha é a longevidade: não passa de cinco horas em minha pele, o que até se espera de um eau de toilette.
Outro dado importante: que frasco belíssimo, gente! Com dourado e conteúdo amarelo, remete-nos à alegria, ao sol, ao despertar, além do formato em arte damascena, típico da marca.
Tudo lindo!
Texto revisto e reeditado.

O odor das dracenas...

Já fiz um post aqui no blog sobre certas flores da noite. Citei as dracenas, inclusive.
Mas especificamente uma dracena tem me chamado a atenção. Não sei qual o nome e tenho pesquisado muito... Já me disseram ser a dracena de Madagascar, mas não é. Depois pensei que fosse a chamada dracena leque... e ainda não tenho certeza.
A questão é o cheiro...
De verdade: nunca senti numa flor um cheiro tão diferente.
É fato que uma rosa e um jasmim têm odores muito distintos, mas as flores brancas da noite, de modo quase geral, têm cheiros bem parecidos: jasmim, murta, flor de café etc (exceção para a dama-da-noite). Entre as dracenas também é assim. Tenho pelo menos quatro tipos em casa e três deles apresentam flores que eu não distinguiria em termos de aroma. Mas há uma delas que me inquieta. Só floresce uma vez no ano e com abundância. As flores em botão são como pequenos bastões de cor marrom (parecendo a ponta de cotonetes). Quando se abrem, inundam o quintal e a casa de um cheiro verde, frio e suculento. Há algo de pêra e melões misturado ao odor floral intenso. Um aroma que atinge níveis muito profundos em nossos receptores e marcam definitivamente.
É inevitável não pensar em algum perfume que me remeta a esse aroma...
Escape, de CK, feminino. É isso! A flor tem aquele cheiro agudo e doce de melão, bastante molhado e suculento, frio e inesquecível.
Gosto do cheiro das flores, mas gosto ainda mais de poder senti-los no quintal da minha casa, depois de um dia cheio. Então ponho meus chinelos, após o banho, e entre cães e gatos, curto as primeiras horas da noite bem do jeitinho que gosto.
E você, leitor? Gostaria de falar do cheirinho de alguma flor? Poderia compará-lo a algum perfume?
Vamos lá! Estou esperando (rsrsrs).
Beijo a todos!

Aromatics Elixir

Um perfume criado para estimular os sentidos. Rosas mergulhadas em pachouli. Com base numa concepção aromaterápica, inclui elementos florais e aromáticos sobre um fundo de pachouli, vetiver e musgo de carvalho. É um chipre-floral de primeira grandeza. Tem na base um efeito confortante de madeiras, que asseguram e envolvem as rosas, principalmente, além do ylang-ylang, do jasmim e das tuberosas, alavancadas pelas aromáticas camomila, sálvia e verbena, rescendendo e deixando um gostoso rastro de elegância que transita e o moderno e o clássico. Essa é a sua alma. Posso afirmar seguramente, também, que se trata de uma composição com um dos melhores fixadores. Tem algo que nos remete a mulheres de personalidade marcante, além de distintas e sofisticadas. Agrada também aos homens, por ser um perfume com base nitidamente amadeirada. 
De fato, temos um poderoso elixir. O elixir da nobreza outonal. Algo que também se encontra em Paloma Picasso. É uma daquelas fragrâncias que fazem de quem a usa seu súdito para sempre... Um chipre exemplar, com aquele gostoso efeito acolhedor de base, típico dessa família olfativa.
Apresenta-se na versão parfum de 50 ou 75ml e não é tão comum nas lojas do ramo.
Texto revisto e reeditado.
 

sábado, 13 de setembro de 2014

Comemoração!

Não sei se perceberam, mas nosso cabeçalho ganhou uma modernizada.
Nosso blog está atingindo os 300.000 acessos e, como é de costume, "ponho a cara na reta" (rsrsrs).
Minha alegria é imensa, até porque sei que são 300.000 acessos de pessoas que compartilham comigo essa gostosa mania, essa deliciosa atração pelos diferentes cheiros que marcam profundamente a nossa história.
Comecei esse trabalho como um passatempo, sem maiores preocupações e, vejam só: continua sendo um dos meus prazeres, embora tenha me trazido algumas responsabilidades. Mas isso não é uma reclamação. Pelo contrário: tem sido um bálsamo para os dias mais atribulados e preocupantes.
Mais uma vez agradeço aos meus seguidores e a todos que acessaram ou acessam regularmente esse cantinho perfumado e sagrado pra mim.
Muito obrigado a todos! Espero que tenhamos muitas centenas de acessos pra comemorar..
... E um brinde com a minha cervejinha (nesse caso dispenso o champanhe)!
Obrigado a Sarah (Li), Yvan, Malú, Dâmaris, Priscila (e a todos da "távola",  como diz a querida Beth), Claudinho, Afrânio, Vana, Heriks, Alessandra, Samira, Tânia, Kaká, Cláudia, Luciana, entre tantos outros...

Essencial Feminino

Tenho certa reserva com Essencial Feminino, uma vez que me senti desrespeitado desde que tiraram de linha a primeira versão, muito semelhante ao Dune, de Dior, e que eu adorava.
Com relação ao Essencial atual, não o considero tão essencial assim, entretanto, desta vez, a fragrância me agradou.
Estou até meio perplexo, uma vez que o perfume de que falarei agora já é a terceira versão para Essencial Feminino (sendo que a segunda não me agradou nem um pouco).
Bem, vamos ao que interessa: senti a fragrância atual, pela primeira vez, em uma colega de trabalho e logo perguntei: que cheiro é esse?
Uma coisa é certa: original. 
O perfume tem saída cítrica e um tanto tropical. O corpo é floral e contém, provavelmente, notas que bastante se aproximam do efeito das frutas, mesmo que oriundas das flores, além de manter aquele cheirinho verde típico de Natura.
O ponto forte dessa fragrância, ao meu ver, é a combinação cítrico-floral combinada ao fundo macio e confortável do que acredito ser musk, âmbar e/ou baunilha (talvez fava-tonka).
Cria-se uma atmosfera que, para mim, não tem nada de sensual (como é descrita a fragrância: floral/sensual). O que sinto é pura ternura e conforto.
Uma fragrância que combina com qualquer ocasião e que pode ser facilmente compartilhada.
Um bom perfume, com boa fixação e projeção interessante quando alcançadas as notas de base.
Claro que, quando penso em Essencial de Natura, até pela própria imagem que se buscou criar de uma das linhas mais caras na marca, não imagino uma fragrância como essa. Mais uma vez afirmo que a primeira versão me era bem mais interessante. Entendo, porém, que para o nosso clima, uma colônia combina bem mais que um perfume tão intenso como o primeiro.
Mesmo sendo eau de parfum, este Essencial tem tudo para figurar entre as versões tupiniquins de boas eau's de toilette.


quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Juicy Couture

Apresento o principal perfume de uma marca que tem crescido rapidamente entre as "patricinhas" que curtem uma moda divertida e glamourosa, principalmente depois que as queridinhas Paris Hilton e Britney Spears posaram com suas roupas de treino em veludo rosa.
A marca foi criada na Califórnia por duas amigas, em 1997, e tem invadido os países do mundo, já dominando Estados Unidos e Japão.
O perfume, ao contrário do que se possa pensar, não é nada "patricinha", ou seja, está longe de ser uma daquelas composições de frutas vermelhas ultra ambaradas e afogadas em baunilha. Nada disso. Juicy Couture é luxuoso e tem um quê de classicismo adorável. Começa com notas doces, suculentas e frescas de maracujá, maçã-verde, melancia e tangerina, logo envolvidas por efeito de flores brancas e orvalhadas, como tuberosas e lírios. A combinação floral com as notas frutais suculentas criam um aspecto frio e profundo, denso, lembrando Anais Anais, inicialmente, e encaminhando-se para o coração de Jasmim Noir, de Bvlgari, e Crystal Noir, de Versace, certamente. A base ratifica essa impressão, quando atribui à sinfonia algo mais cremoso, graças à presença de baunilha, caramelo e crème brûlée, fazendo jus ao nome que carrega, o que não torna a fragrância goumand (outra tendência teen).
O frasco é de extremo bom gosto e bastante vintage, lembrando os perfumes com "tampas aplicadoras", embora esconda uma válvula padrão.
A fragrância foi criada por Harry Fremont, em 2006.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

A poção da eternidade

Um tema lindo, proposto por uma pessoa linda: Li, do blog Parfums et Poésie, para a mesa de setembro, da nossa "confraria".
Imagine você, numa expedição ao interior das pirâmides do Egito, deparando-se com um frasco de perfume até então oculto, por todos esses incontáveis anos, em um nicho escavado na parede...
Como seria seu frasco? E o mais instigante: seu cheiro? Ahhh... só de imaginar, crio um perfume surreal, poderoso e nunca antes sentido...
Pesquisas recentes encontraram num frasco metálico vestígios do que teria sido o perfume da rainha Hatshepsut (c. 1473 a 1458 a.C.). Isso os levou a imaginar qual seria o perfume usado pelos egípcios. O incenso está entre os aromas mais prováveis, considerado o perfume dos deuses. Além disso, acredita-se que frutas, ervas e madeiras aromáticas eram imersos em óleo até que este ficasse saturado de fragrância.
Mas vamos além, já que a proposta é imaginar...
Imagino um perfume que tenha sido criado especialmente para imortalizar alguém e que, necessariamente, tratar-se-ia de uma obra única e inavaliável. Mais que isso: teria que se corresponder com o impalpável e sobre-humano.
Já que preciso dar contornos ao seu cheiro, tentando transmitir o que imagino, terei que estabelecer algumas relações. Imediatamente penso em Opium, de YSL. O cheiro da canela, envolvendo o jasmim, confere à fragrância ares de nobreza antiga, o que cairia muito bem a essa nossa simulação.
Mas preciso de algo mais: algo que, além de aprisionar o tempo num frasco e revelar toda a nobreza de outrora, possa também revelar a magia de um perfume e seu poder de embelezar e tornar imortal e pulsante o espírito a quem foi destinado. Este é Éden, de Cacharrel - um elixir que parece concentrar todas as primaveras, desde a criação, a emanar flores cálidas e embebedadas pelos ecos do tempo. Éden não é só uma alusão ao paraíso: é a memória da beleza.
Não proponho aqui o resultado da mistura dessas duas maravilhas até agora citadas, mas algo que pudesse relevar as poéticas  impressões dessas fragrâncias tão distintas e tão significativas. De qualquer forma, o que predomina em minha imaginação é o acento oriental da fragrância. As especiarias, o aroma da baunilha em comunhão com as madeiras, as resinas, como a mirra e o láudano, arrematando os odores florais, dão ao perfume a suntuosidade necessária para que possa ser digno de um rei ou de uma rainha.
Outro efeito interessante é o incenso. Fragrâncias de base incensada carregam em si o sagrado e o profano. Há algo de misterioso e etéreo nessas composições.
Entre as obras em que figuram tais resinas ou, em outras, os mágicos incensos, estão  Roma, de Laura Biagiotti; Le Baiser du Dragon, de Cartier; o descontinuado Triumph, de O Boticário; Al-Rehab De Luxe; Arabian Nights, de J Del Pozzo, entre tantos outros...
Se pudéssemos colocar o que há de mais encantador, de cada um desses perfumes, num mesmo frasco, certamente teríamos um perfume digno de um faraó, pronto para perfumar o humano ao encontro do divino.
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Confiram as postagens dos meus amigos blogueiros, tratando do mesmo tema:
Village Beauté
Le Mond est Beau
Parfums et Poésie
Parfumée
Perfume Bighouse
Templo dos Perfumes
Perfumart
A Louca dos Perfumes



terça-feira, 2 de setembro de 2014

Compartilháveis: eu uso, tu usas, ele usa...

Em primeiro lugar, vamos deixar de lado essa mania de rotular uma fragrância como masculina ou feminina. 
Entendo que, no passado, os perfumes eram destinados às mulheres, explorando, inicialmente, o aroma de uma única flor, como jasmim ou rosas. Para os homens, criou-se o hábito de perfumar o lenço com notas de lavanda (era o máximo que se permitia), criando um efeito fresco e natural, lembrando o cheiro da relva. Desse costume surgiu uma das famílias olfativas: o grupo fougère.
Mas hoje os tempos são outros.
A perfumaria evoluiu e passou a apresentar uma infinidade de possibilidades, em combinações de ingredientes sintéticos ou naturais, o que também ampliou o leque se opções para homens e mulheres. Outra coisa: o homem hoje é menos tradicionalista (para não dizer preconceituoso). Preocupa-se mais com a aparência e com a forma com que se apresenta. É mais vaidoso e, não necessariamente, menos viril.
Ainda assim, a perfumaria  quase sempre distingue: notas intensamente florais ou frutais são femininas. Notas cítricas, alavandadas ou intensamente amadeiradas são masculinas. Claro que muitas marcas, percebendo a mudança nos paradigmas, lançaram algumas fragrâncias mais ousadas, adicionando notas mais florais ou de baunilha, por exemplo, aos perfumes masculinos e madeiras mais intensas aos femininos. Bons exemplos são as casas Jean Paul Gautier e Calvin Klein, que são se prendem a padrões. Alguns exemplos destas e de outras casas são Le Male, de JPG, cujas notas doces de baunilha dão ao perfume um caráter menos rústico e mais feminino; também a violeta de Fahrenheit, de Dior, e as madeiras intensas de Le Baiser du Dragon, de Cartier. Outro exemplo interessante é o mix guloso de Body Kouros, permitindo que elas também se deliciem com um perfume "de homem", e o de Hypnotic, de Dior (muito bem lembrado pelo Yvan), que, embora bastante doce, contém notas severas de coco e jacarandá.
As fragrâncias mais frescas e casuais, de diferentes marcas, já são bastante apreciadas pelos garotos. São as águas refrescantes, inspiradas na lavanda, nos cítricos e também em notas marinhas: Free, de O Boticário; a coleção Brisas, de Eudora; as deliciosas colônias da tradicional Roger e Gallet, entre muitas outras.
Vale dizer, entretanto, que as fragrâncias não precisam ter inclinações "compartilháveis" para que possam agradar e ser usadas pelo gênero oposto ao que ela se destina. Há homens que preferem fragrâncias mais doces, enquanto certas mulheres não abrem mão do seu Azzaro pour Homme.
Seguem algumas sugestões, incluindo as dicas de alguns dos meus seguidores:

- Para eles, perfumes delas:

Ô de Lancôme, Laguna de Dali, Free de O Boticário, Thaty de O Boticário, Amarige de Givenchy, Le Baiser du Dragon de Cartier, Opium de YSL, L'Eau d'Issey de Issey Miyake, J'Adore de Dior, Clinique Elixir, Nº 19 de Chanel, Nº 5 de Chanel, Cabochard de Grès, Cabotine de Grès, Coco Mademoiselle de Chanel, Hot Couture de Givenchy, Calandre de Paco Rabbane, Jasmim Noir de Bvlgari, Obssession de CK, Ange ou Démon de Givenchy, Acqua Fresca de O Boticário, Burberry etc. etc. etc...

- Para elas, perfumes deles:

Body Kouros de YSL, 4711 de Mü
lhens, Le Male de Jean Paul Gautier, Eau Sauvage de Dior,
Fleur du Male de JPG, Dimitri de O Boticário, L'Eau d'Issey de Issey Myiake, Very Irresistible de Givenchy, Pi de Givenchy, Fahrenheit de Dior, 212 Sexy Men, Boucheron pour Homme, Zino de Davidoff, 212 Men, Jazz de YSL, Diesel Zero Plus, Acqua di Parma, Acqua di Gió de Armani etc. etc. etc...
É claro que já existem os clássicos reconhecidamente compartilháveis: CK One e Gautier 2 são bons exemplares.

Por hora é só.
Gostaria de ouvir as sugestões de vocês, queridos leitores. Vamos lá! Quais perfumes você indicaria?